— Ei menino, quantas primaveras já se passaram e nem percebemos. Você que usava um short e uma camisa quando pequeno, com um cabelo simetricamente cortado, segurava um violão tentando arriscar os primeiros acordes, cantando “modas” bem antigas, cheias de palavras difíceis. Você na sua caminhada para a juventude batia na porta da casa das pessoas para ter algum reconhecimento, tentava fazê-las viajar contigo junto com tuas canções, e conseguia. Elas ficavam admiradas com tamanha capacidade de alcançar o sonho, ser um grande cantor. Quem diria que dentro de um grupo de amigos sua música ia ser gravada e levada para as rádios, onde você iria ser o famoso “Gurizinho”, de voz aguda e exatamente com as notas perfeitas, chamou atenção de um estado, depois as calças coladas vieram, e aquele velho cinto de fivela, você já havia conquistado uma região. Um senhor locutor, que posso chamar de um anjo que abriu as portas para seu caminho, te fez criar mais expectativas de que a vida poder ser dura, mas quando ela é vitoriosa não há nada que compense mais que um sorriso. Depois de tantos barrancos, shows com formigas nos pés das fãs, ou aquelas que diziam ter se surpreendido com seu trabalho, veio um palco, ou melhor, um dia de chuva, em um parque, uma data marcada para ser o seu primeiro grande espetáculo, o seu show. Mas parecia que DEUS tinha lhe reservado mais do que você pensava, teve que adiar a data. E sim, acredito que foi do jeito que você imaginou, o seu show, atraindo milhares de pessoas, que o clamavam e lotavam um lindo parque, da sua cidade natal. Quando aquele verdadeiro “Meteoro” tinha atravessado a terra, e caiu no Brasil, ele veio, mas não iria sair jamais, iria envelhecer ali mesmo, sabe por quê? Porque ele tinha talento, ele tinha que mostrar que sonhar era muito mais do que uma passagem, e sim um ponto fixo na vida daquele pequeno mato-grossense. O Brasil, repito, o Brasil mudou depois que aquele menino tímido apareceu, afinal ele sabia que mesmo com tantos obstáculos ele iria ser o melhor, ele iria conquistar o que chamamos de população. Todos receberam o “sol e o mar” com aquele guri, ele explodiu, e já mudando completamente de jeito, aquelas botas de antes, já não apresentavam mais, o cabelo com gel? Não agora era todo para cima, com calças normais, blusa ou casaco xadrez, ele tinha mudado, mas não porque queria e sim porque tinha crescido, ele estava virando adulto, mas sabe aquele olhar que desde o dia em que ele piscou pela primeira vez, tem um mesmo significado até hoje, o de sonhar sem limites, independente do que todos digam, sonhar! Ele cresceu, ele viveu, ele cantou e ele mudou minha vida completamente, mas ele para mim sempre será o menino que dizia “O violão está pesado”, sabe por quê? Porque ele se tornou a alegria dos meus dias, a razão de viver, porque em apenas uma música ele me fizera sentir o que ninguém em anos de convivência me fez ver. Ele me anima, me entristece, mas ele é e sempre será a minha base de cada sorriso, a minha vitória, o meu sonho. Parabéns minha vida.
Universo Luan